segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Feliz aniversário

lago_tigres_cron_def Logo pela manhã veio uma sensação de perda de tempo e aquele mal-estar típico de dias assim. Vem uma preocupação de que não seremos lembrados, sem bolo e sem canto. Em meio a esta tempestade o enfermeiro chefe deu-me autorização para sair do andar duas horas mais cedo que o horário normal de visitas. Assim já foi possível começar a sair daquela ansiedade de que nada ocorreria e adentrar em outra que era não saber, exatamente, o que iria acontecer.

Desci com minha mãe para o térreo e escolhemos um local sob o prédio que servia como praça ladeado por uma quadra de basquete, uma rua de acesso, um estacionamento e palmeiras que reproduziam o som do vento em suas folhas por ele movimentadas, concedendo instantes de liberdade para uma mente inquieta.

Minha cama – aquela que vira cadeira – fora posicionada de forma que eu visse a rua de acesso, em mais uma das antecipações amadas de minha mãe.

O coração acelerava e, mesmo sabendo que teria uma surpresa de aniversario, não concebia que o presente seria tão imenso.

Vi ao longe surgir um de meus melhores amigos e um inevitável sorriso surgiu, depois observei que outro amigo surgira, em seguida um grupo de pessoas queridas subiam por aquela rua fazendo de meu silêncio o maior dos brados de alegria.

Era algo que, absurdamente, fugia do cotidiano de qualquer hospital. Uma invasão de queridos familiares amigos.

Aproximavam-se, munidos de bolo, refrigerantes, copos e, principalmente, com sorrisos contagiantes, sem tristezas e pesares, apenas com olhos brilhantes que surpreendiam a todos e obrigavam a mudança de pensamento de esquecimento para a afirmação de que era querido.

Houve então canto, abraços, palavras e atos afáveis, amigáveis, intensamente incentivadores para risos e lágrimas doces.

O bolo, ou bolos, ainda pôde ser distribuído à todos os pacientes e funcionários do andar, como se aquele aniversário, aqueles cantos e sorrisos fossem de todos e assim acabou por ser, pois os rostos daqueles que tinham suas famílias distantes, em outros estados, passavam a ser parte certa daquela comemoração de vitória e vida.

Cada pedaço de bolo era uma explosão de bem-querer e otimismo.

É evidente que não cobravam nada em troca de presente tão especial, mas desde aquele dia os dias intermináveis mudaram sua terminologia para dias amáveis; dias em que o lembrar de data altamente marcante remediavam a proximidade de qualquer ato, pensamento ou verbo que viesse a tentar juntar-se ao substantivo depressão.

Ter amigos é virtude, necessidade e argumento para celebrações.

Perder um amigo, com o perdão da expressão, é estupidez!

Até a próxima.

Angelo Márcio.

4 comentários:

Célia disse...

Oi Angelo...passei para uma visitinha!! Adorei seus posts e a sua maneira de se expressar; você consegue usar as palavras e descrever exatamente os sentimentos e os momentos vivenciados, o que nos faz viajar, através de seus olhos e seu coração. E você também tem muito senso de humor!! Parabéns pelo Blog e pelo dom com as palavras. Felicidades e muita Luz...

Angelo Márcio disse...

Seja sempre bem-vinda e sinta-se a vontade, Célia.
Certamente ao fazer uso do dom com as palavras creio acertar e errar na tentativa de escrever sobre o que realmente foi vivido.
Agradeço sua visita e suas palavras que oferecem ânimo para continuar.
Quanto ao humor... a vida é bem-humorada e sorridente. Vamos viver então!

Felicidades e fortaleza sempre!

Deficiente Ciente disse...

Angelo,

Parabéns por mais esse texto!!
A Célia tem toda razão, verdadeiramente, você expressa seus sentimentos através do coração!

Um ótimo final de semana para você, meu amigo!

Abraços!
Vera

Angelo Márcio disse...

Com o uso da palavra escrita me sinto mais livre.

Obrigado e ótimo final de semana para você também, Vera.

Felicidades e fortaleza sempre!

Angelo.

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